sábado, outubro 08, 2005




PROMESSA DE SERENIDADE

Prometo partir quando nao puder mais chegar
prometo abandonar-me num raio de sol morno
dum por-de-sol fundido... afogado no mar
Prometo extinguir-me nesse ultimo contorno

Quando o vermelho o azul salgado tocar
não haverá lágrimas de dor ou transtorno
no sol, cumprida a promessa de acabar,
deixarei a forma de meu coração em adorno

E por nao conseguir mais chegar,... partirei
Olhando nos olhos toda a gente que amei
deixando-lhes sorrisos numa lágrima escondida

Pois todo o amor que no peito carregarei
será consolo da dor crua que,... eu sei,
irei sentir no momento da partida...

quarta-feira, outubro 05, 2005




PROMESSA DE REGRESSO


Voltarei sempre onde o meu coração ficar
é lá que estará sempre todo o meu ser
aí estão as circunstancias do meu viver
aí estão as razões do meu avançar...

Voltarei sempre onde o coração me chamar
e onde a alma sempre me fizer crer
que sou peregrino dum caminho a fazer,
descalço de verbos presos num lugar

Regressarei onde fui feliz, mesmo que doa
Aí ergui as asas do destino, qual gaivota
lançanda no voo que nao vislumbra derrota

E nas asas do querer que no agora ecoa
Subirei mais alto nas margens da lagoa
anseando o mar que a vontade nao esgota...

segunda-feira, outubro 03, 2005




Promessa de Deus

Nasci numa noite de chuva, sábado de madrugada
Os pessegueiros estendiam frutos a quem queria
Dei o meu primeiro choro e lá fora chovia
promessa de prosperidade na terra empoeirada

Nasci numa noite de verão, com uma chuvada
Promessa de um sonho... minha mãe sorria,
as dores nao lhe deram qualquer agonia...
comigo nos braços sentia-se recompensada

As dores que te dei, minha mãe, meu amor
penso que nunca na vida as tinha agradecido...
e o tempo passa... apenas me tenho esquecido...

Agradeço-te aquele Julho chuvoso de calor,
o carinho que sempre entregaste sem favor
Agradeço seres minha mãe... de ti ter nascido...

sábado, outubro 01, 2005

PROMESSA À LUA

Hoje quis beijar-te tanto, como se mundo
estivesse todo ele nos lábios dum momento
entre minhas mãos, teu olhar, bem fundo,
beijado pela força dum brutal sentimento

Hoje quis beijar tua boca num segundo
(mesmo que efémero, varrido pelo vento
da eternidade que na memoria fecundo...)
Hoje teu sabor não me sai do pensamento

Hoje todos os beijos que vejo são teus,
e, as bocas que os tocam, a minha e a tua
Hoje toda a saudade vem daquele "adeus"

O "Adeus" que nasceu no luar da rua
E que, finda noite, não mais morreu...
viverá, enquanto alva dor for lua...

quinta-feira, setembro 29, 2005





PROMESSA REAL


Meu amor morreu, nas Lágrimas, na fonte
Meu Colo de Garça não me espera mais ...
morreu, por amor, com facas Reais
Punhais D'el Rei mataram meu horizonte...

Morri, meu Amor, sem vos beijar a fronte
Morri sem mais ouvir o quanto me amais
O olhar da gazela que, matar, recusais
É meu olhar, em vós, despedido no monte .

Inês é morta! Pedro, vivo, morre com ela...
Depois da terra, ele Rei, rainha a vai coroar
obrigando a corte a mão da Castro beijar

Dois tumulos manda fazer, um dele...um dela
Colocados frente a frente para, ao ressuscitar,
Seu olhar, finalmente, ao d'Inês se entregar...






Seiscentos e cinquenta anos após a morte de Inês....Ele frente a ela..Ela, esperando por ele ...



PROMESSA DE CHEGADA

Nao te vejo nas ruínas do tempo,e procuro...
tuas pégadas o mar teima nao apagar
marcadas na areia quente que não seguro
escapa-se entre dedos... fitando o mar...

Como se em galé d'ausencia pudesses chegar
...do horizonte, meu olhar, nao descuro...
entre dedos, a areia do tempo a escapar
entre o sal,... lágrimas... de sal mais puro...


Pégadas marcadas na alma, nao no chão
areia molhada, nao pelo sal do mar...
areia escapada... sem um unico olhar...

Só o horizonte prende, sem ventos de feição...
Virás numa onda, na espuma de ilusão...
presa na pégada que o tempo marcar

quarta-feira, setembro 28, 2005


PROMESSA DE ETERNIDADE

Teu corpo, meu amor, de fé santuário,
rasgados os paramentos do teu altar
atravessa-se na luz, consome o ar
respiro-o na intensidade do calcário

Teu corpo, meu amor, meu sacrário
de benditas hóstias que quero tomar
com o vinho que tua boca gotejar
segundo teu rito... doutrinário

Teu corpo, meu amor, entre hinos
desenvolto de alvas vestes de fé
será meu sem repicar de sinos

E o meu corpo, amor, teu que é
entrega-se em ti, fundindo destinos
sem castiçais nem arras de sé...

terça-feira, setembro 27, 2005

NOITES VELHAS







Ontem, quase sem querer, li um poema... um poema breve, tremendamente bem escrito, sobre algo terrivelmente doloroso. Do poema sai paz, não uma paz resignada, mas verdadeira... brutalmente verdadeira. Quem me dera tê-lo escrito. Ele está aqui...é da Cláudia
E, pela beleza desse poema, vou dedicar à sua autora o que escrevo a seguir. É estranho dedicarmos um poema a quem nao conhecemos e a quem não nos conhece, mas apetece-me fazê-lo.
É para Si, Cláudia:


PROMESSA DAS "NOITES VELHAS"

Gastamos todo o sabor nascido em nossas bocas
todos os nossos brilhos de olhar foram trocados
E todas as palavras foram ditas... algumas roucas!...
Todos as hesitações e embargos de voz... desbocados

Nada ficou por dizer, gritar, silenciar...poucas...
as poucas palavras faltadas, depois de esgotados,
eram silêncios.... silêncios necessários às ocas...
e vazias mãos que apertavam os lenços molhados

Nada mais havia a trocar entre nós os dois
nem as palavras salgadas que trocamos depois
ou a troca de passeios... fingindo nao reparar

Nada mais havia a dar, tudo seria mundano
Das ondas recolhemos todo o azul do oceano
e da praia esgotamos todo o som do mar...

segunda-feira, setembro 26, 2005




PROMESSA DAS HORAS


Prometo não permitir o tempo passar,
contar todas as horas como a primeira,
e sempre que o ponteiro se mudar
contigo estarei... pela vida inteira

Prometo, nos segundos que contar ,
contar-te os segredos à cabeceira
e nos meses que na agenda rasgar
escrevo, no verso, prosa ligeira

Guardarei cada minuto bonito
Em alvas letras sobre negro granito
todas as horas da minha vida e morte

E prometo-te um suspiro bendito
Naquele segundo que quiera a sorte
moribundo, eu, da vida perca o norte

domingo, setembro 25, 2005



Promessa de amor

Prometo, ora, a meus pés ajoelhado
ser eu, ser vida e ser morte a final
ser tudo e nada ser que seja mal
ser um sonho na penumbra acordado

Prometo eu ser , mesmo contrariado
Prometo ser tu, e eu residual
ou só ser nós com eficácia tal,
que as horas contarão tempo parado

Prometo ser paixao sem outro norte
que nao seja o teu ponto cardeal
prometo, a Deus, viver-te até à morte...

E prometo um amor alem sepulcral
visitado em todo o orvalho forte
caído em lagrimas de choro matinal